Boa noite!

VÁRZEA PAULISTA - 270

VÁRZEA PAULISTA - 277

 

     A primeira cidade após Jundiaí a ter a pesquisa sobre hábito de leitura concluída foi Várzea Paulista, cidade vizinha e onde historicamente possuo amigos.  Por esse motivo, a locomoção entre os bairros não foi problema, com exceção das divisas de bairros.  A característica dos trabalhos que desenvolvi ao longo de minha vida foi sempre a exatidão, por isso precisei recorrer à informação de muitos moradores, até mesmo vizinhos um do outro para constatar a veracidade.  Ainda assim, pairaram dúvidas, principalmente na divisa dos bairros Cruz Alta e Mirante.  Moradores alegaram dúvidas pela falta de placas toponímicas com nome da rua e bairro, e pelo fato das contas de água e luz virem com diferentes nomes de bairros.  O problema é sério e não é isolado; na Vila Real por exemplo, as ruas possuem nomes de cidades paulistas, sendo uma delas Altinópolis.  Numa das contas, vem “Antinópolis”.  Alguns moradores tem se acostumado com o nome errado e chegaram até mesmo a colocar no curriculum vitae o nome “Antinópolis”.

     Problemas com informações e denominações a parte, a pesquisa em Várzea foi relativamente tranquila e melhor recebida que em Jundiaí, tanto é que as notas de zero a dez na recepção ao escritor se estabeleceram na maior parte entre 7, 8 e 9, diferente de Jundiaí, que ficou entre 6 e 8.  O único “incidente” foi no Jardim Satélite, praticamente centro da Várzea, onde um rapaz visivelmente drogado (sob efeito de cocaína) impediu a mãe de responder a pesquisa.  Curiosamente, os bairros que receberam a menor nota (6), são os próximos a Vila Cristo – divisa com Jundiaí, como Vila Santa Terezinha e Jardim Primavera.  Em determinadas residências, a arrogância e o pouco caso me fizeram lembrar alguns bairros de classe média de Jundiaí.  Uma senhora evangélica, de maneira “curta e grossa”, respondeu que não lê nada a não ser a Bíblia.  E “fechou” a cara, como se condenasse todas as pessoas que leem livros que não sejam a Bíblia.  Ainda bem que o radicalismo foi constatado em poucas famílias durante a pesquisa.

     Se por um lado a cidade apresentou uma recepção melhor, o hábito de ler proporcionalmente se mostrou menor que em Jundiaí.  Da amostragem de 277 pessoas ouvidas, de todas as idades, e em todas as regiões da cidade, pouco mais de 130 afirmaram não ter o hábito de ler ou ler pouco.  Esse baixo hábito da leitura foi constatado em todas as faixas etárias, de crianças (porcentagem menor), jovens e adolescentes (porcentagem média) e adultos (porcentagem maior, principalmente no público evangélico).  Mas sem dúvida o que mais chamou atenção foi o desinteresse pela leitura em crianças e adolescentes nos bairros de menor poder aquisitivo, fato também constatado em Jundiaí mas em menor número.  Embora seja uma situação negativa, as crianças, jovens e adolescentes responderam melhor a pesquisa que muitos adultos.  Tirando o caso excepcional do Jardim Satélite, o público jovem e infantil, mesmo a parcela que admitiu não ter o hábito de ler, recebeu muito bem este escritor, chegando em alguns casos a fazer amizade e manter contato.

     O número significativo de desinteresse pela leitura de livros se refletiu nas vendas de meus trabalhos.  É fato, se há o hábito de ler, há mais vendas.  Em Jundiaí, a média foi de cada 20 pesquisados, uma ou duas vendas.  Ainda assim, um número baixo para uma cidade com mais de 100 escritores, academias de letras e que se orgulha de seus números quando se fala em educação.

     Como ainda existem dúvidas nesta relação entre pesquisa e vendas, embora já tenha esclarecido no texto de Jundiaí, vale relembrar aqui:

     - A pesquisa não é patrocinada por ninguém, não tem ajuda de custo de ninguém.  Ela é realizada com meu próprio esforço e os gastos com material e condução dependem da vendas dos livros, que são feitas aqui em Jundiaí, onde já tenho um círculo de leitores que adquirem todas as novas publicações.  Mas a extensão da pesquisa em outros municípios depende das vendas na ocasião da minha apresentação durante a pesquisa.  O entrevistado nunca é intimado a comprar, meu trabalho é apresentado somente se a pessoa demonstra interesse em conhecer, afinal, é raríssimo ter um escritor na porta de casa.  O objetivo da pesquisa já foi atingido, nesta data a soma total dá 2000 pessoas ouvidas e um panorama do hábito da leitura na região.  A partir de então tenho também o objetivo da venda para dar prosseguimento à pesquisa.  Mas sempre respeitando a livre e espontânea vontade do entrevistado.  Se as vendas em determinada cidade não atingirem a meta para um retorno e continuidade em demais bairros, a pesquisa nessa cidade será encerrada, afinal, ninguém faz um trabalho para levar prejuízo.

     Concluindo: diferente da estratégia de marketing de algumas editoras que usaram vendedores disfarçados de pesquisadores para vender livros, eu sou um escritor-pesquisador que vai ao encontro do público para incentivar o hábito da leitura.  E como está sendo comprovado, 98% da população lê livros mas nunca tiveram a oportunidade de conhecer seus autores.

 

O CRITÉRIO E O PORQUÊ DAS NOTAS

 

     O critério de avaliação do atendimento do morador em suas respectivas residências (colocados entre parênteses após o nome do bairro),tem um valor muito importante em meus trabalhos literários.  O atendimento revela duas coisas: a educação e o sentimento de segurança/insegurança na relação com o desconhecido.  A educação traz a tona o nível cultural; quer seja ele para mais ou para menos, a educação pode ser excelente ou sofrível.  Para muitos escritores, este ponto sempre foi alvo de muito debate e polêmica, inclusive teses.  Já na questão da segurança, este é o item principal, tão importante como registrar o hábito da leitura.  O assunto envolve um de meus livros, que propõe o exercício da cidadania através da formação de grupos de estudo, e continua sendo objeto de estudo para minha formação política.  Portanto, a nota revela esses dois aspectos.  O desinteresse na participação na pesquisa mostra o valor que a pessoa dá à educação; e o atendimento, por interfone, da janela ou porta, atrás do portão ou do lado de fora, revela o sentimento de segurança.  Sem falar no que demonstra o olhar.  Por isso, se esta pesquisa fosse realizada por outra pessoa, eu não teria a riqueza de detalhes para compor um trabalho técnico a nível social e cultural.

     A pesquisa sobre hábito da leitura vai além do simples registro do que a pessoa lê e seus conhecimentos literários.  Ela tem cunho social, e vai fornecer ingredientes para um futuro trabalho nessa área.

 

COMO É A CIDADE PESQUISADA

    

     Fundada oficialmente em 1886, Várzea Paulista era um bairro de Jundiaí.  Cidade industrial, possui nomes fortes como KSB, Elekeiroz (uma das mais antigas, iniciou as operações em 1923) e Advance (lamentavelmente destruída num incêndio neste mês de julho).  Várzea cresceu intensamente durante a década de 80, principalmente com o loteamento da região norte da cidade (Jardim Paulista e Jardim América), conurbando com a região leste de Jundiaí.  A população saltou dos 60 mil nos anos 80 para mais de 100 mil hoje.  A população alfabetizada com mais de 10 anos de idade gira em torno de 93%.  É conhecida nacionalmente como a “cidade das orquídeas” por sua produção e comercialização.  A altitude em relação ao nível do mar é de 740 m, ou seja, iguala a de Jundiaí.  Seu ponto mais alto está na Serra do Mursa, uma extensão da Serra dos Cristais.  A cidade é cortada pela Avenida Fernão Dias Paes, ligação antiga e urbana entre as cidades vizinhas de Jundiaí e Campo Limpo Paulista, além da avenida marginal do Rio Jundiaí.  Também possui ligação viária com a zona leste de Jundiaí através da Avenida Pacaembu, e com a Rodovia Tancredo Neves, a Estrada Velha de São Paulo.

     Várzea, juntamente com Campo Limpo, Itapetininga, Itatiba, Campinas e São Paulo, são cidades que conheço desde minha infância.  Praticamente acompanhei o crescimento destas cidades.  Vila Indaiá por exemplo, cheguei a ir de bicicleta desde minha casa no centro de Jundiaí.  O perfil dos jovens e adolescentes dos bairros de Várzea, não difere do perfil dos jundiaienses. 

 

RESUMO DA PESQUISA EM VÁRZEA

 

     A amostragem de 277 pessoas ouvidas foi um número significativo para a comparação com Jundiaí, pois, devido ao tempo necessário para tal, calculo que as amostragens girarão em torno de 100 a 200 pessoas em cada cidade.  Esses números, embora aparentemente pequenos diante dos 1270 ouvidos em Jundiaí, já podem revelar as diferenças e semelhanças entre as cidades considerando as faixas etárias e classes sociais.  Os dados serão comparados e estarão a disposição.

     Como Várzea é limítrofe com Jundiaí e boa parte da população se desloca diariamente para Jundiaí para estudar ou trabalhar, em torno de 5 a 10% dos 277 pesquisados foram ouvidos em Jundiaí, no comércio ou na rodoviária.  Dessa forma, alguns bairros não apresentam notas, dadas somente na pesquisa feita no próprio bairro.

     A pesquisa revelou que alguns bairros de Várzea apresentam vários moradores novos, principalmente jovens e adultos na faixa dos 30 anos, vindos de outras cidades do interior de São Paulo e do Nordeste.  Também encontrei ex moradores de Jundiaí e também pessoas que estão de saída, ou seja, voltando para Jundiaí.  Esse vai-vem mostra que Várzea é uma cidade frenética, com ruas sempre movimentadas (na Vila Popular por exemplo, foi mais fácil entrevistar os moradores nas ruas que nas residências), e consequentemente, pouca informação histórica sobre a região.  Diante disso, era de se esperar que a maior parte desconhecesse nomes da literatura regional.  Se em Jundiaí o número de escritores citados ficou bem abaixo do esperado, Várzea pode-se dizer que desconhece os escritores da região, e quem conhece, pertence a uma minoria privilegiada.  Outra constatação preocupante é o número de pessoas que alegaram ter problemas de vista e dificuldade para ler, tanto jovens como adultos.

 

NÚMEROS

 

     17 escritores regionais foram citados (sem considerar meu nome, que foi citado cinco vezes).  Desses 17, apareceram Douglas Tufano, Elvio Santiago, Pofré e Uvinha de Jundiaí, citados uma vez cada, e também a professora Elisângela de Jundiaí.  Também foi citado o evangélico Ezequias Soares e os seguintes nomes: Ester Benessutti, Ana Margarida Silva Santos, Márcio Magera, Amilton Roberto Lovato, Severino Pedro, Alberto Granato, Luis Roberto Innocenti e dois de Campo Limpo Paulista: José Jovino e Edson Silvano.  Os que foram citados duas vezes são: Marcelo Bueno da KSB e o prefeito Eduardo Pereira.  Portanto, excluindo meu nome, das 277 pessoas ouvidas, somente 19 conhecem nomes de escritores regionais, sendo que um ou outro nome deixa dúvidas se possui trabalhos publicados, dúvida manifestada pelo próprio entrevistado; “ouvi dizer dessa pessoa...”

     Já escritores de renome nacional, apareceram como preferência: Machado de Assis na liderança, seguido pelos autores de obras infantis Monteiro Lobato e Maurício de Sousa, o cartunista da turma da Mônica que agora também produz mangás.  Outros nomes citados por jovens e crianças foram Ziraldo, Ruth Rocha e Marcos Rey.  Jorge Amado não chegou a ser citado mais que dez vezes, o mesmo ocorreu com Paulo Coelho, que em Jundiaí ficou entre os autores nacionais de maior preferência entre os leitores jovens e adultos.  Outros autores clássicos foram citados uma ou duas vezes, como Erico e Fernando Veríssimo, José de Alencar, Guimarães Rosa, etc. Também apareceram nomes que não foram citados em Jundiaí, como Álvares de Azevedo, Cesar Castellano, Victor Hugo, Mauro Sergio Cortella, Samuel Klein, Paulo Freire e Manuel Barros.  Embora Chico Xavier e Zíbia Gasparetto tenham sido citados duas e três vezes respectivamente, a literatura espírita em Várzea não tem a preferência dos leitores como em Jundiaí. Em se tratando de literatura religiosa, o predomínio, praticamente de igual para igual é da literatura católica e evangélica.  Quando o assunto é preferência musical, o estilo sertanejo ganha entre o público adulto, enquanto entre o público infantil é o  black, rap e funk, havendo variação conforme o bairro.  Onde há melhor renda, conheci um tipo de som que por incrível que pareça, este viajado escritor ainda desconhecia; o “high school music”.  Entre jovens e adolescentes varzinos o gosto é bastante diversificado, muitos declararam ser ecléticos.

     Por fim, 25 pessoas dessa cidade afirmaram não ter o hábito de ler, ou, não gostar de ler, sendo 7 jovens e os demais, adultos.  Se somar estes que não gostam de ler aos que responderam possuir pouco hábito da leitura, há praticamente um empate técnico com os que declararam ter hábito de ler, ou seja, os números ficaram entre 130 e 135.

 

NÚMEROS NOS BAIRROS

 

     Todas as regiões da cidade foram atingidas na amostragem.  Da mesma forma que houve o empate técnico entre o gostar e o pouco ou não gostar de ler, os nomes citados de escritores ficaram bastante dispersos em quase todos os bairros pesquisados, o que torna a especificação deles por bairro uma descrição longa para o site.  Por isso este tópico foi resumido para o número total de pessoas ouvidas e a nota, além da classificação A,B,C,D,E que correspondem ao poder aquisitivo dos moradores (predominância).  Quem quiser ver dado por dado da pesquisa, as pastas estão a disposição dos interessados.

     A região central de Várzea engloba os seguintes bairros: Vila Paraíso, Vila Hiere, Jardim Diana e Jardim Satélite, com classes sociais bastante misturadas, B, C e D. Tecnicamente não existe apenas “centro”, as ruas centrais pertencem a um desses bairros citados acima.  Mas como registro o que a pessoa fala, quatro declararam morar no centro, nove na Vila Paraíso, dezessete no Jardim Diana, seis no Jardim Satélite e cinco na Vila Hiere, que é uma extensão da Vila Paraíso.  Apesar de conhecer as ruas, não sabia que aquela parte do centro possuía esse nome, e ao perguntar como se escrevia “Hiere”, curiosamente algumas pessoas não sabiam soletrar.  Por fim, uma professora soletrou.  As notas ficaram: 7 para o Jardim Satélite e 8 para os demais.

 

VILA SANTA TEREZINHA (6)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 15

 

JARDIM PRIMAVERA (6)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 10

 

JARDIM DO LAR (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 4

 

JARDIM SÃO GONÇALO (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 5

 

JARDIM MARIA DE FÁTIMA (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 12

 

JARDIM BURITI (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 4

 

VILA MARAJÓ (7)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 10

 

VILA INDAIÁ (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 5

 

RES. AIMORÉ (9)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 5

 

VILA POPULAR (7)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 27

 

JARDIM BERTIOGA (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 8

 

JARDIM DAS PALMEIRAS (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 5

 

JARDIM CONTINENTE (9)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 6

 

JARDIM ITÁLIA

Pessoas ouvidas: 2

 

VILA TUPI

Pessoas ouvidas: 1

 

JARDIM ALESSANDRA

Pessoas ouvidas: 1

 

PARQUE GUARANI (8)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 6

 

VILA SÃO JOSÉ (8)

Classes: B,C,D

Pessoas ouvidas: 19

 

JARDIM CRUZ ALTA (7)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 11

 

JARDIM MIRANTE (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 10

 

PROMECA (7)

Classes: D

Pessoas ouvidas: 11

 

JARDIM FELICIDADE (9)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 7

 

JARDIM PAULISTA (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 20

 

VILA REAL

Classes: D,E

Pessoas ouvidas: 5

 

JARDIM NOVO MUNDO

Pessoas ouvidas: 1

 

JARDIM AMÉRICA I, II, III e IV

Classes: D

Pessoas ouvidas: 18

 

JARDIM SÃO PAULO

Classes: D

Pessoas ouvidas: 2

 

CIDADE NOVA II

Classes: D

Pessoas ouvidas: 2

 

JARDIM GAUCHINHA

Classes: D

Pessoas ouvidas: 3

 

BAIRRO DO MURSA

Pessoas ouvidas: 1

 

 

 

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