Boa tarde!

OS SINAIS QUE VEM DA NATUREZA

CORTESIA COM O CHAPÉU DOS OUTROS


     Marinheiro brasileiro de primeira viagem na Europa pensa estar em outro mundo. Pois é, nem parece que está apenas fora do Brasil, parece mesmo outro mundo tamanha é a diferença no modo de vida. A começar pela disciplina, até mesmo em Portugal, nosso país colonizador e visto como “patinho feio” pelos poderosos países escandinavos e as potências Alemanha, França e Reino Unido. Alguém já viu os jardins de Lisboa? Pois é, organização e limpeza põe nossas cidades lá em baixo. Mas ao viajar pela Europa, o que chamará nossa atenção é a quantidade de aposentados, pessoas da terceira idade cruzando os países de carro, trem, ônibus ou avião. Não, não estão visitando parentes, e sim fazendo turismo. Se hospedando em hotéis, se alimentando em restaurantes, visitando museus, jardins e demais pontos turísticos.
     Realidade brasileira: quais são os nossos aposentados que fazem turismo hoje? Talvez os militares aposentados. Ex-deputados, ex-prefeitos...médicos aposentados. Empresários. Em suma, a nata da sociedade. Os demais? Bom, os demais, que gastam metade da aposentadoria com remédios e apresentam holerite - como o atestado de pobreza necessário para obter um advogado da justiça gratuita -, “ganharam” o direito de viajar gratuitamente ou com um determinado desconto nas linhas interestaduais.
     O benefício, em vigor já a algum tempo, foi motivo de intriga entre governo e empresários do setor de ônibus, merecendo vários artigos nas revistas do ramo. Quem está arcando com o benefício? O empresário, que teve que reservar assentos nos veículos para a gratuidade. Se o governo passou a bola para o empresário, o empresário teve que “se virar” para não diminuir seu lucro. Num primeiro momento, imaginamos que a gratuidade será bancada por nós, que pagamos passagem. Uma lógica que já nos habituamos, mas as tarifas são reguladas por órgãos ligados ao governo. Empresários sugerem, a palavra final vem do poder público. Assim funciona em prefeituras, governo estadual, governo federal. Por mais que empresários e políticos estejam de mãos dadas, o poder público evita tomar medidas impopulares, por isso a questão tarifária é o calcanhar de Aquiles. O peso vai cair sobre o empresário mesmo, que obviamente usará jogo de cintura para minimizar as perdas. Alguém já notou que alguns ônibus novos possuem a opção de mais assentos sem ampliação da carroceria? Pois é! Diminuiu o espaço para os passageiros esticarem as pernas! Coincidência, não?
     Mas voltemos à realidade do idoso. Além dele ter que apresentar “atestado de pobreza” para usufruir do benefício, terá que planejar muito bem a viagem para não ficar na mão, esperando um dia e horário que o assento esteja livre. Ele não conseguirá o benefício comprando passagem na hora, e terá que torcer para que outros idosos já não tenham comprado os lugares.
     Se fizermos uma pesquisa com o público-alvo que o governo quis atingir com esse benefício, encontraremos o aposentado mais humilde, aquele que viaja para visitar os filhos, irmãos, sobrinhos...diferente do outro aposentado, da classe média-baixa, que até os anos 70, 80 tinha consciência de viajar para adquirir conhecimento cultural e fazer turismo, mesmo que fosse nas estâncias hidrominerais ou na “Caverna do Diabo”. Este, além da consciência, possuía uma aposentadoria que permitia fazer uma, duas, até três viagens por ano – viagens nacionais. Hoje, o aposentado da classe média-baixa, não se enquadra na tal gratuidade. Recebe um pouco mais e por isso está fora do benefício. No entanto, seu salário de aposentado não permite realizar viagens turísticas, viagens que abundavam nos anos 70 e 80. Havia operadoras exclusivas para esse público, como Soletur, Urbi et Orbi e várias outras. Estas, fecharam suas portas. Outras partiram para viagens aéreas, atendendo o público da classe média, que bem ou mal, consegue investir em turismo.
     Pois bem, o aposentado que foi beneficiado com a gratuidade, é o público que não tem voz crítica. Veio o benefício, aceitou. Se está habituado a apresentar atestado de pobreza para brigar por seus direitos, um a mais para viajar não vai fazer diferença. Assim, mais uma vez o governo fez cortesia com o chapéu dos outros, aqui no caso, com o chapéu dos empresários, que de alguma forma, tirou algo dos demais passageiros, aqueles que pagam a tarifa integral. Se não é através da tarifa, é algum detalhe no serviço, no conforto.
     Isto é o que faz o Brasil diferente dos países de primeiro mundo. Nosso salário mínimo é um salário de miséria. Classe baixa nos países de primeiro mundo, recebe um salário digno, que permite ao cidadão viajar pelo prazer de viajar, adquirir conhecimento cultural, fazer turismo. Mesmo que existam outras formas de desconto, ninguém precisa apresentar atestado de pobreza. Empresários não são submetidos a fazer caridade para os governos ganharem pontos (votos). O aposentado brasileiro da classe baixa continua sendo humilhado, e não tem consciência disso. Graças a Deus a nova geração não aceitará esse tipo de barganha. Se falta vergonha na cara dos políticos, que não possuem competência para combater a corrupção (acabe-se com a corrupção e aparece dinheiro para pagar uma aposentadoria decente), falta abrir os olhos do cidadão, para não aceitar barganhas, esmolas, cortesia com o chapéu dos outros. Leve esta informação adiante. Faça valer sua consciência cidadã. Acabemos com a humilhação de “atestados de pobreza”. Quando o brasileiro for remunerado dignamente pelo seu trabalho, todos nós sairemos ganhando.

 

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