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emtu em jundiaí

O governador paulista sancionou a lei que cria o aglomerado urbano de Jundiaí, uma espécie de mini região metropolitana. É o primeiro passo para o surgimento da futura megalópole, que se estenderá desde a baixada santista até Campinas.

Questões sociais e políticas são temas para outro artigo, esta seção abordará o item transporte, que, segundo o governador, será o primeiro a ser tratado.

A imprensa local já adiantou que a EMTU assumirá as linhas suburbanas, atualmente sob o controle da ARTESP, para melhorar o serviço. Os jornais desta semana destacaram o problema, ouvindo passageiros das linhas entre Várzea Paulista e Jundiaí. Lotação, atrasos, sujeira nos ônibus e poucos horários aos finais de semana foram reclamações feitas aos repórteres.

Para início de conversa, é questionável a penúria da situação. Se a ARTESP é um órgão estadual, esse órgão não deveria fiscalizar de acordo as empresas? Será que existe tratamento diferenciado do órgão com as linhas intermunicipais rodoviárias e as intermunicipais suburbanas? Não existe um padrão de qualidade na prestação de serviços da EMTU e ARTESP? Se são órgãos do governo estadual, deduzimos que haveria um padrão de serviço. Mas pelo que ficou claro, tanto na observação in loco do serviço das permissionárias, ao registrado pela imprensa, a EMTU pretende resolver problemas que a ARTESP não teve empenho para resolver.

Logicamente o crescimento (desordenado) dos grandes centros urbanos paulistas dificulta o controle de um órgão que fiscaliza o estado todo, mas pela ética e coerência um padrão de serviço entregaria o setor em ordem, e não nessa situação. A impressão que fica é que a EMTU entrará para salvar a situação.

Segundo os observadores, técnicos e usuários, o serviço prestado pela EMTU na região metropolitana de São Paulo não é ruim. A classificação deve girar entre bom e ótimo. Todas as cidades possuem ligação entre si, os veículos são novos, bem conservados e possuem, além do letreiro, placas com resumo dos itinerários. No entanto, existem dois grandes problemas no gerenciamento da EMTU nas três regiões onde atua. O primeiro é a falta de terminais integrados. No transporte ferroviário, a integração permite baldear entre todos os terminais ferroviários, subúrbio e metrô, pagando uma passagem. Por ônibus não existe essa mobilidade, pois não existem terminais metropolitanos nos 39 municípios da Grande São Paulo. Logicamente é uma tarefa para longo prazo devido ao porte da obra, mas é algo que já deveria ter começado lá atrás. O segundo problema parece ser crônico, já que nasceu com a EMTU. É a pintura padrão dos ônibus. Serviço padrão é uma coisa, e é benéfico. Pintura padrão é totalmente diferente, e beneficia somente o lado da fiscalização pelo órgão. Para o usuário, que paga pelo serviço, é péssimo. Ora, um serviço de transporte coletivo deve servir o usuário plenamente, inclusive os usuários que possuem deficiência, seja física, mental e a enorme massa acima dos 65 anos de idade, que tem problema de vista para identificar os nomes nos letreiros, e os analfabetos e semianalfabetos. Qual o benefício que uma pintura padrão traz para essa parcela de usuários? Nenhum, a pintura padrão traz dificuldade para identificar a linha. Nas ruas, avenidas e rodovias, por onde circulam essas linhas suburbanas, a identificação precisa ser rápida para o usuário não dar sinal "em cima". Se cada empresa tivesse a liberdade para usar sua cor dentro de um design da EMTU, muitos transtornos seriam evitados, inclusive esse que citei do passageiro dar sinal em cima ou perder o ônibus. Pior ainda a situação humilhante de perguntar a outros passageiros a linha do ônibus que está se aproximando, ou dar sinal e perguntar a linha ao motorista. Isso gera conflitos entre motoristas e passageiros, um desgaste desnecessário que seria resolvido se houvesse uma compreensão técnica em cima do assunto. Qual o interesse da EMTU em obrigar as empresas a adotarem uma cor padrão? Deixar sua marca registrada apenas? Ora, se ela gerencia o sistema, um design padrão é perfeitamente compreensível. Por sinal, o design adotado é bastante sugestivo e até elegante. Se já existe um design para a frota por ela gerenciada, cor não justifica. As empresas que operam dentro do sistema são gerenciadas pelo órgão, mas são empresas que possuem um histórico, sua própria identidade. Se a empresa opera historicamente entre São Paulo e Santo André, ela traz uma cor que o usuário vai identificar a distância que a linha é para Santo André. Se a linha é para Mauá, é outra empresa que opera e tem a sua cor. O usuário que vai embarcar no trajeto, sabe identificar que é o ônibus para Mauá.

Alguns governos querem dar a impressão de que o Brasil é um país com educação equivalente a da Noruega ou Suécia. Não adianta maquiar a realidade. Possuímos ainda milhões de analfabetos segundo o último censo. E esses analfabetos espalhados pelo país mais cedo ou mais tarde vêm para as regiões metropolitanas, utilizar um transporte coletivo que deve ser acessível a eles, principalmente na informação visual. Imaginem como vai ficar a situação desses usuários do sistema quando todos os ônibus suburbanos que operam desde a baixada santista até Americana estiverem padronizados numa só cor. Não entendo como técnicos de dentro de um órgão estadual não levam em conta esse aspecto. Parece que existe outro interesse acima do interesse do usuário. É importante que o cidadão de nossa região tome consciência desse problema antes que ele chegue. Já basta a cor padrão implantada dentro de Jundiaí, que vem prejudicando os usuários desde 2004.

Outro aspecto importante é o sistema viário. Não adianta querer mexer nas linhas, criar mais horários, se o sistema viário de Jundiaí e região está atrasado mais de quinze anos. O único grande investimento foi no Trevo de Itu, que teve participação direta da concessionária que administra o sistema Anhanguera / Bandeirantes. Em questão de avenidas, talvez a que mereça destaque seja a União dos Ferroviários, seu prolongamento beneficiou a região do bairro do Retiro. Mas importantes artérias ficaram para depois, como a duplicação da José do Patrocínio, terceiro viaduto para a Zona Leste, prolongamento da Ferroviários até a divisa com Várzea Paulista, reforma do Trevo da Avenida Jundiaí, prolongamento da Frederico Ozanan até o Distrito Industrial, etc. Neste caso específico da Frederico Ozanan, o problema está ligado aos núcleos de submoradias, um problema que a prefeitura começou a correr atrás só nesta última década. A favela do Shangai obstruía o prolongamento da Frederico Ozanan, esta foi retirada, mas ainda tem a da Meias Aço.

Como os leitores podem notar, tudo é interligado. Problema de transporte coletivo envolve problema do sistema viário, que também depende da solução de outros problemas. A aglomeração urbana de Jundiaí compreende uma região rica, com comércio forte e indústrias de porte. Estranhamente a região ganhou um elevado padrão de vida, muitas pessoas aqui enriqueceram, mas os investimentos na área social e de transporte público atrasaram. O trânsito em Jundiaí ultrapassou o limite, o sistema viário não comporta tantos veículos, todas as linhas urbanas atrasam depois das 17:00, para qualquer direção da cidade. O aglomerado urbano nasce com problemas crônicos, que não foram visualizados pelas administrações passadas. Resta agora a população participar e fiscalizar todas as ações que serão feitas daqui para frente, primeiramente para corrigir os erros cometidos no passado e evitar que se criem novos problemas.

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