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OS SINAIS QUE VEM DA NATUREZA

A ÉPOCA DE OURO DA PRODUÇÃO DE ÔNIBUS NO BRASIL

     O Brasil possui ônibus de qualidade para exportação. Ônibus brasileiros estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Para você é novidade? Se é, o motivo da desinformação é porque ou você não utiliza ônibus no dia a dia ou utiliza e não observa a qualidade do produto.
     Os nomes Marcopolo e Busscar estão presentes em todos os países da América do Sul, parte da América Central, vários países africanos e asiáticos. A Marcopolo também possui sua linha de produção em Portugal, para atingir os países europeus. Tecnologia brasileira espalhada pelo mundo. Se por um lado há motivo de orgulho, pelo outro há preocupação pelos métodos liberais que regem a política de mercado. Qualquer cidadão, por mais leigo que seja em administração, sabe que no mundo dos negócios sobrevive aquele que oferece o melhor preço e o melhor produto. A tal da concorrência, a princípio agrada quem deseja entrar na roda. Mas quando começam a surgir os dragões chamados monopólios, algo não está seguindo as regras. Monopólios, por mais que exibam nome, qualidade e tecnologia, não são bons para a saúde do mercado. Não é o caso para apontar os possíveis responsáveis pelo fato neste artigo, apenas mostrar os rumos de nosso país no assunto ônibus.
     A indústria brasileira do ônibus ganhou fôlego na época do “milagre econômico”. O governo da época incentivou a indústria nacional com um pacote de ações, desde o investimento na infraestrutura, malha viária aos planos de educação e aperfeiçoamento profissional. A própria capital paulista é testemunha, com o primeiro caos no trânsito devido a gigantesca aquisição de carros e os ônibus que foram ocupando o espaço dos bondes. Havia poucos semáforos, a sinalização de solo era quase inexistente. Quem presenciou aquela época, lembra dos caminhões FNM (Fábrica Nacional de Motores) e a variedade de carros e ônibus, de marcas estrangeiras e nacionais. Os ônibus importados foram os primeiros a sumir. Brasinca, Grassi, Striuli...carrocerias praticamente artesanais começaram a conquistar espaço entre os inúmeros pequenos empresários que se arriscavam nas cidades que cresciam. Na década de 60, havia mais de 70 empresários que disputavam os passageiros na cidade de São Paulo, e o desfile de marcas nacionais de ônibus era impressionante. Sim, houve o predomínio da gigante Mercedes Benz com seus monoblocos, mas as encarroçadoras brasileiras conquistaram o país, inclusive no interior, onde as ruas e estradas de terra não eram apropriadas para os veículos monoblocos.
     Apesar dos nomes estranhos, estrangeiros, as encarroçadoras de ônibus, capitaneadas por descendentes de italianos e outros que montaram produtos legitimamente nacionais, parte delas foi além da década de 70, e estiveram presentes até pouco tempo atrás. Outras apenas trocaram de nome, como a Incasel que nos anos 80 mudou para Comil e Nielson que nos anos 90 mudou para Busscar. No segmento urbano, Companhia Americana Industrial de Ônibus (CAIO), continua firme e forte apesar de ter passado por uma fase conturbada no final da década de 90.
     A indústria brasileira, quer queira quer não, dança ao ritmo da política. Entre os anos 50 e 70, havia mais de quinze indústrias de carrocerias; só para citar algumas: Grassi, Striuli, Metropolitana, Cirb, Cermava, Nilo, Incasel, Aratu, Eliziário, Cribia, etc. Com a decadência do regime militar e a inflação indo às alturas, começou a quebradeira, só as que possuíam um capital maior para superar o período de crise permaneceram. Com o aparente restabelecimento da economia, tivemos surpresa com o surgimento de novas encarroçadoras, como Mov, Colon Bus, Jotavê e algumas outras que se arriscaram. Até nomes fortes como Mafersa e Cobrasma se aventuraram no segmento de carrocerias para ônibus. Mas a ciranda do mercado, aliada a alguma inexperiência ou má administração, implicaram no fim da produção dessas carrocerias. É um conjunto de fatores, e como diz o sábio ditado de Shakespeare “existe muito mais entre o céu e a Terra do que supõe vossa vã filosofia”. Neste caso também se aplica; “existe muita coisa entre o mundo político e empresarial do que supõe vossos vãos palpites”.
     Atualmente, com a crise na Busscar, estamos próximos a uma monopolização no segmento rodoviário. E a época de ouro da variedade de carrocerias de ônibus no Brasil permanecerá apenas na memória.

 
 
 
 

 

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