Bom dia!

OS SINAIS QUE VEM DA NATUREZA

ÔNIBUS E CINEMA

    O Brasil é um país que sempre teve talento e criatividade para realizar produções cinematográficas, curtas, médios ou longa-metragens. O entrave para a concretização desses trabalhos tem alguns nomes bem conhecidos: capital, verba, patrocínio.
     Num país de dimensão continental, vários temas podem virar bons filmes. Desde a vida no garimpo no norte do país às sombras da vida noturna da capital paulista. Muitos temas já foram explorados e outros ainda não. Em se tratando de ônibus, quem diria! Eles também foram protagonistas (não humanos) de forma especial em dois: A Dama do Lotação nos anos 70 e Linha 174.
     As duas obras são bem distintas: A Dama do Lotação registra a arte cinematográfica do período militar. A censura era implacável com temas sociais, abordando desigualdade, lutas, qualquer coisa que fizesse o cidadão pensar e questionar. Então o apelo era erótico, não pornográfico, pois a pornografia era tesourada. A mulher brasileira, numa época em que todas as atenções se voltavam para “miss isto, miss aquilo”, rendia bilheteria. Abundavam produções do gênero, e Sônia Braga fez o “mulherão”. O local inusitado: ônibus. Classes alta e média possuíam seus carros, ônibus era utilizado pelo povo, o “proletariado”. A figura de uma mulher “dama”, num ônibus urbano, “dando mole” para os homens suburbanos que viajavam em pé, era uma tacada de mestre para a época. Quantos não sonharam, depois de assistir ao filme, em conhecer uma “mulher nota mil” no aperto do ônibus? Fosse mulher para desposar ou simplesmente transar, que era o caso da personagem de Sônia Braga. Na visão da elite da época, a personagem representou a autêntica vagabunda, safada. Mulher que trai seus princípios sociais ao se aproximar do povo, “da ralé”, como podemos notar na ótima representação do motorista e do “trocador” quando conversam com ela. “A Dama do Lotação” poderia ser motivo de críticas hoje, pois transmite a imagem da mulher objeto de tentação e que não é passível de confiança. No entanto, há de se levar em conta que o conceito de “woman lib”, que florescia na época, visava liberdade total à mulher, inclusive a liberdade sexual. A mulher, dona de seu corpo, que deixa de ser submissa e escrava sexual do marido “senhor de seu corpo e de sua vida”. O papel se inverte, a sedução feminina pode ser comparada ao ataque da viúva negra.
     A realidade do filme Linha 174 é completamente diferente. A trama foi criada em cima de um fato real, pode-se dizer que é um documentário, dentro de um tema atual e exaustivamente enfocado: a “guerra urbana” brasileira. O assalto ao ônibus urbano no Rio de Janeiro foi mais um episódio que ganhou repercussão internacional. O Caio Alpha “durou” na empresa até a filmagem do curta, um capricho que ajudou a dar o máximo de realidade à produção. Quem poderia reafirmar isto, ou dizer que o Alpha foi adquirido de outra empresa carioca, é o próprio pessoal ligado aos ônibus no Rio de Janeiro. Lá, algumas empresas vendem o ônibus com apenas três ou quatro anos de uso.
     Outro filme que os ônibus merecem destaque mas não foram “personagens principais”, é “Dois Filhos de Francisco”. A direção teve o capricho de montar o cenário da década de 70 na então desativada rodoviária velha de Goiânia. Os ônibus utilizados foram da empresa São José do Tocantins, que até pouco tempo atrás utilizava relíquias da década de 60 rodando em linhas intermunicipais entre pequenas cidades na divisa entre Goiás e Tocantins. A foto de um dos ônibus usados no filme está em meu acervo.
     Se não fossem essas produções, quase nada teríamos de registro em filme dos ônibus daquela época. Hoje é diferente, qualquer aficcionado sai filmando. A filmagem está ao alcance de todos. Só não se sabe se teremos alguma produção atual exclusivamente sobre esses veículos.

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